| BIOGRAFIA
DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI |
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O campo principal do brasão, vermelho, apresenta dois lados que constituem uma "capa", de ouro. A "capa" é o símbolo da religião, que indica um ideal inspirado na espiritualidade monástica e, mais tipicamente, naquela beneditina. Algumas ordens e congregações costumam usar a capa em seus brasões. Os elementos que caracterizavam seu brasão episcopal como arcebispo de Munique e Freising e depois como cardeal-prefeito da Congregação da Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício, como muitos têm o prazer de dizer), continuaram presentes, agora ordenados de modo diferente. A esses elementos são acrescentados a mitra e o pálio pontifícios, além das chaves de São Pedro. A figura que ocupa o centro do brasão é uma grande concha de ouro, que tem pelo menos três significados: antes de tudo, refere-se a uma famosa lenda envolvendo Santo Agostinho: o Santo bispo passeava por uma praia, meditando sobre o impenetrável mistério da Santíssima Trindade, quando teve sua atenção despertada por uma criança que, com uma concha, derramava a água do mar num pequeno buraco cavado na areia. Ao ser questionado sobre o que estava a fazer, a criança respondeu: "estou a despejar o mar neste buraco". Assim, a concha é o simbolismo da imersão no mar da divindade, portanto, um significado teológico: a limitação da mente humana jamais permitirá total penetração no mistério insondável de Deus. Nosso papa doutorou-se em teologia em 1953 com a tese: "Povo e casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho". A concha relembra também a dimensão de ser peregrino, simbolicamente ligada a um dos conceitos mais centrais do Concílio do Vaticano II: o Povo de Deus, peregrino, do qual, o papa Bento XVI foi chamado a ser pastor, buscando, desse modo, também seguir o caminho de peregrino traçado pelo seu antecessor, o papa João Paulo "Magno", que testemunhou em todo o mundo seu peregrinar, confirmando seus irmãos na fé. Por último, a concha lembra ainda o mesmo símbolo que ele vira no brasão do antigo Mosteiro de Schotten, perto de Ratisbona, na Baviera, ao qual sente-se espiritualmente muito ligado. A casula que utilizou no dia em que deu início ao seu ministério solene de pastor universal da Igreja trazia uma grande concha e diversas conchinhas, sinalizando certamente seu propósito de ser um peregrino que vai anunciar a todos a Boa Nova do Senhor, ensinado-os a nada anteporem absolutamente a Cristo. Na capa esquerda de quem vê o brasão, encontra-se a figura de um homem, conhecido como o "mouro de Freising". Esse perfil, com uma coroa vermelha, um colar e os lábios também vermelhos, já aparecia no brasão da antiga diocese-principado de Freising em 1316, nos tempos do bispo Conrado III, assim permanecendo até os inícios do século XIX. Essa diocese foi fundada no século VIII, tendo tornado-se sede metropolitana quando unida à de Munique em 1? de abril de 1918. Desde então, todos os arcebispos de Munique e Freising têm posto essa imagem em seus brasões, ela que é também chamada "caput Aethiopicum", e pode ser vista ainda hoje no brasão do Cardeal Friedrich Wetter, atual arcebispo de Munique e Freising. Um elemento curioso do novo brasão está na capa do lado direito de quem vê, é a figura de um urso com um alforje, conhecido como o "Urso de Corbiniano". Ele faz parte da lenda do bispo Corbiniano, que anunciou o Evangelho no século VIII, na antiga Baviera, sendo venerado ainda hoje como pai espiritual e padroeiro da arquidiocese de Munique e Freising: segundo a lenda, durante uma viagem que empreendeu até Roma, um urso devorou seu cavalo. O santo teria, então, ordenado ao urso que levasse sua bagagem à Cidade Eterna. Ao chegar em Roma, o santo liberou o urso, que voltou a viver nos bosques da Baviera. Assim, simbolicamente, o cristianismo amansou e domesticou o paganismo selvagem e introduziu na Baviera os fundamentos de uma grande cultura. O "Urso de Corbiniano" simboliza também o peso do ministério, encontrando, agora essa figura, uma nova pátria também em Roma. Em cima do brasão aparece pela primeira vez aquela que poderemos chamar de mitra "papal" e não mais a tiara, como aparecia até então nos brasões pontifícios. Na mitra papal encontramos, contudo, as três faixas de ouro, dantes representadas na tiara, que estão coligadas entre si, e representam o tria munera exercidos pelo Santo Padre: santificar, governar e ensinar, funções que, com o seu serviço ordinário supremo, pleno, imediato e universal, pode sempre exercer livremente buscando a salvação de todos. Embaixo do brasão, encontra-se o pálio do metropolita, grande novidade, pois há muito não figurava num brasão pontifício, mas é apresentado com cruzes vermelhas e não pretas como daqueles que recebem os metropolitas em Roma, por ocasião da Solenidade do Apóstolo São Pedro, sendo esse um sinal da colegialidade e da subsidiariedade entre eles e o Romano Pontífice. O pálio é desde o século IV também uma insígnia litúrgica típica do pontífice, indicando a sua missão como pastor do rebanho que lhe foi confiado pelo Senhor; àquele recebido, juntamente com o anel do pescador é semelhante ao omophorion utilizado pelos patriarcas das Igrejas Orientais Católicas ou mesmo pelos patriarcas das Igrejas Ortodoxas. As duas chaves, uma de ouro e outra de prata, lembram o poder dado a São Pedro, pelo Senhor, de ligar e desligar (Mt 16,19). É vista também por muitos como símbolos do poder espiritual e temporal, esse último certamente mais evidenciado no tempo em que existiam os Estados Pontifícios. Para os amantes da heráldica, o brasão pode ser assim descrito: "Vermelho, com capas de ouro e concha do mesmo metal; na capa direita possui uma cabeça de mouro ao natural, com a coroa e o colar em vermelho; na capa esquerda possui um urso ao natural, de lampazo, carregando um alforje, atado por cintas pretas". O lema do papa não foi ainda revelado, mas se acredita que será o mesmo que ele tinha como cardeal-arcebispo de Munique e Freising: "Colaborador da verdade" (3Jo 8) ou, até mesmo, aquele que citou por ocasião da sua primeira audiência pública ao falar de São Bento: "Desse pai do monaquismo ocidental, conhecemos a recomendação deixada aos monges na sua Regra: "Nada anteponham absolutamente a Cristo" (RB 72, 11; cf. 4, 21). No início do meu serviço como Sucessor de Pedro, peço a São Bento que nos ajude a manter firme a centralidade de Cristo na nossa existência. Que ele esteja sempre em primeiro lugar em nossos pensamentos e em cada uma das nossas atividades!". Não ter ainda o lema, ou não tê-lo, em definitivo, não significa "falta de programa, mas ao contrário, uma abertura, sem exclusão, a todos os ideais que derivam da fé, da esperança e da caridade". |