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CARTA
ENCÍCLICA DEUS CHARITAS EST - CONCLUSÃO
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Figuras de Santos como Francisco
de Assis, Inácio de Loyola, João de Deus, Camilo de Léllis,
Vicente de Paulo, Luísa de Marillac, José B. Cottolengo,
João Bosco, Luís Orione, Teresa de Calcutá —
para citar apenas alguns nomes — permanecem modelos insignes de
caridade social para todos os homens de boa vontade. 41. Entre os Santos, sobressai Maria, Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. No Evangelho de Lucas, encontramo-La empenhada num serviço de caridade à prima Isabel, junto da qual permanece «cerca de três meses» (1, 56) assistindo-a na última fase da gravidez. «Magnificat anima mea Dominum – A minha alma engrandece o Senhor» (Lc 1, 46), disse Ela por ocasião de tal visita, exprimindo assim todo o programa da sua vida: não colocar-Se a Si mesma ao centro, mas dar espaço ao Deus que encontra tanto na oração como no serviço ao próximo — só então o mundo se torna bom. Maria é grande, precisamente porque não quer fazer-Se grande a Si mesma, mas engrandecer a Deus. Ela é humilde: não
deseja ser mais nada senão a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.48).
Sabe que contribui para a salvação do mundo, não
realizando uma sua obra, mas apenas colocando-Se totalmente à disposição
das iniciativas de Deus. Desta maneira se manifesta
que Ela Se sente verdadeiramente em casa na Palavra de Deus, dela sai
e a ela volta com naturalidade. Fala e pensa com a Palavra de Deus; esta
torna-se palavra dEla, e a sua palavra nasce da Palavra de Deus. Vemo-lo na humildade com que Ela aceita ser transcurada no período da vida pública de Jesus, sabendo que o Filho deve fundar uma nova família e que a hora da Mãe chegará apenas no momento da cruz, que será a verdadeira hora de Jesus (cf. Jo 2, 4; 13, 1). Então, quando os discípulos tiverem fugido, Maria permanecerá junto da cruz (cf. Jo 19, 25-27); mais tarde, na hora de Pentecostes, serão eles a juntar-se ao redor dEla à espera do Espírito Santo (cf. Act 1, 14) 42. À vida dos Santos,
não pertence somente a sua biografia terrena, mas também
o seu viver e agir em Deus depois da morte. Nos Santos, torna-se óbvio
como quem caminha para Deus não se afasta dos homens, antes pelo
contrário torna-se-lhes verdadeiramente vizinho. Em ninguém,
vemos melhor isto do que em Maria. À sua bondade materna e bem assim à sua pureza e beleza virginal, recorrem os homens de todos os tempos e lugares do mundo nas suas necessidades e esperanças, nas suas alegrias e sofrimentos, nos seus momentos de solidão mas também na partilha comunitária; e sempre experimentam o benefício da sua bondade, o amor inexaurível que Ela exala do fundo do seu coração. Os testemunhos de gratidão,
tributados a Ela em todos os continentes e culturas, são o reconhecimento
daquele amor puro que não se busca a si próprio, mas quer
simplesmente o bem. A devoção dos fiéis mostra, ao
mesmo tempo, a infalível intuição de como um tal
amor é possível: é-o graças à mais
íntima união com Deus, em virtude da qual se fica totalmente
permeado por Ele — condição esta que permite, a quem
bebeu na fonte do amor de Deus, tornar-se ele próprio uma fonte
«da qual jorram rios de água viva» (Jo 7, 38). Santa Maria,
Mãe de Deus, Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 25 de Dezembro — solenidade do Natal do Senhor — de 2005, primeiro ano de Pontificado. BENEDICTUS PP. XVI [1] Cf. Jenseits
von Gut und Böse, IV, 168. © Copyright 2005 - Libreria Editrice Vaticana. |