"SILÊNCIO E PALAVRA: CAMINHO DE EVANGELIZAÇÃO"
Em
sintonia com o próximo sínodo sobre a nova evangelização
Na
manhã desta terça-feira, 24, às 11h30 (horário
de Roma) a mensagem do Papa Bento XVI para o 46º Dia Mundial das
Comunicações Sociais foi apresentada, numa coletiva de imprensa,
pelo presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações
Sociais, Dom Claudio Maria Celli. Nesta mensagem, explica o presidente
do órgão vaticano, Bento XVI busca fazer uma reflexão
sobre a cultura da comunicação social, oferecendo sugestões
aos homens de hoje e orientações as ações
pastorais da Igreja. “Nos
últimos anos, o Papa esteve muito atento aos processos e às
dinâmicas da comunicação, especialmente no contexto
da transformação cultural originada dos desenvolvimentos
tecnológicos”, salienta Dom Celli. Neste
ano, o Santo Padre dirigiu uma atenção especial no que ele
chama de “elementos clássicos” da comunicação:
o silêncio e a palavra, algo que, segundo ele, se torna mais importante
na cultura digital. Dom
Celli esclarece que o silêncio não é a falta de comunicação,
ele faz parte do fluxo das mensagens e informações que caracteriza
a nova cultura da comunicação. “Nesta
mensagem [do Papa] encontramos uma reflexão humana profunda sobre
a importância do silêncio ao coração da comunicação.
O silêncio fala – o nosso silêncio pode exprimir a proximidade,
a solidariedade e a atenção aos outros”, explica.
Bento XVI mostra
que o silêncio é um modo forte de expressar o respeito e
o amor para com os outros. No silêncio, é possível
escutar o outro, dando prioridade à palavra do outro. “O
silêncio reforça o relacionamento, as ligações
entre duas pessoas. No silêncio consigo compreender quem é
o outro e assim encontro a mim mesmo. O silêncio serve para refletir,
para pensar, para avaliar e julgar a comunicação. É
o silêncio que nos ajudar a ver”, explica o presidente do
dicastério das comunicações. No
contexto atual, em que a sociedade vive emergida num grande fluxo de comunicação,
o silêncio acaba se tornando ainda mais importante. Dom Celli ressalva
que, na cultura de hoje, é um risco não escutar os questionamentos
do outro e ainda impor respostas pré-fabricadas. “É
no silêncio que posso oferecer aquele diálogo com aquele
que faz a pergunta e com aquele que busca responder. Isso existe um diálogo,
uma interatividade e uma verdadeira busca da verdade”, afirma o
arcebispo. O
Pontifície sugere que ao centro deste fluxo de questionamento existe
uma pergunta fundamental que é a busca da Verdade e dali nasce
de novo a importância do silêncio como o lugar privilegiado
onde o homem se encontra diante de si mesmo e diante de Deus. “O
Papa explica como o silêncio e a solidão são fundamentais
em todas as grandes religiões como lugares de encontro com o Mistério”,
reforça Dom Celli. Acesse na íntegra a Mensagem
do Papa para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais.
O
SILÊNCIO NA MISSÃO DA COMUNICAÇÃO
Nesta
mensagem, Bento XVI desenvolve um pensamento sobre a importância
do silêncio na missão da comunicação da Igreja
e dos cristãos, oferece uma meditação sobre o “silêncio
comunicativo de Deus”. “O
Deus da revelação bíblica fala também sem
palavras: ‘Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também
por meio do seu silêncio’. No silêncio da Cruz, fala
a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo”,
diz o Papa citando um trecho da Exortação
Pós-sinodal Verbum Domini. Esta
passagem mostra que o homem descobre, no silêncio, a possibilidade
de falar com Deus e sobre Deus, e este silêncio se torna contemplação.
Porém, explica o Papa, esta contemplação silenciosa
não é estática, ela permite ao homem fazer sua própria
dinâmica antropocêntrica do amor divino. “A
contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor,
que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu
sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo”, diz Bento XVI em
sua mensagem. Dom
Celli ressalta que, como é típico do Papa Bento XVI, ele
consegue, com poucas palavras iluminar e ajudar a compreender as misteriosas
dimensões do relacionamento entre a contemplação
e o apostolado. “É
deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é
este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores
de esperança e salvação, testemunhas daquele amor
que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e
a paz”, escreve o Papa aos comunicadores. Bento
XVI dedica ainda, no final de sua mensagem, um pensamento sobre a educação
à comunicação, salientando que é preciso “aprender
a escutar, contemplar, mais que falar” e recorda, especialmente
aos evangelizadores, que “silêncio e palavra são ambos
elementos essenciais e integrantes da ação comunicativa
da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo”.

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