| PASTORAL
DA COMUNICAÇÃO |
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O que é PASCOM?
Documento
71 – CNBB Comunicação:
14,44-46,50,89,103,111,123g,145,195,196,208 14. Desde então se tornou comum o uso na Igreja do termo inculturação, para indicar uma dimensão intrínseca da evangelização. A inculturação é uma perspectiva que acompanha permanentemente a evangelização e não se reduz a uma etapa prévia. A inculturação, na verdade, deve ser compreendida em analogia com a encarnação. Na encarnação, o Filho de Deus vem de junto do Pai e se insere na história humana, partilhando da sua fragilidade marcada pelo sofrimento, pelo pecado e pela morte, assumindo-a para redimi-la. A comunicação do Evangelho também quer se inserir na história dos povos e pessoas a que se destina, num diálogo respeitoso. Esse diálogo beneficia tanto o evangelizador quanto o evangelizado, num intercâmbio e numa interação enriquecedora. A própria cultura que acolhe o Evangelho também se transforma, abrindo-se a novas perspectivas e purificando-se de seus aspectos negativos. O ponto de partida é a certeza de que Deus está presente e atua em cada cultura. 44. A sociedade brasileira, inserida na sociedade mundial, que se encontra numa fase de globalização, está atravessando mudanças profundas. A primeira delas é a complexidade. A sociedade é “complexa” porque nela funcionam muitos sistemas autônomos: ciência, tecnologia, economia, política, comunicação, ideologia, religião... Isso torna difícil compreender o que vai acontecer e alimenta as incertezas. Podemos, porém, apontar movimentos e tendências que marcam – às vezes, contraditoriamente – o nosso presente e o futuro próximo. 45. A “globalização” de nossa sociedade é um fenômeno recente, embora tenha tido antecedentes. Os últimos quinze, vinte anos viram um crescimento muito intenso das comunicações entre pessoas, empresas e países, um expressivo fluxo de migração entre os diversos países e o aumento do peso das relações internacionais, financeiras e políticas. A globalização recente provoca crescimento econômico muito desigual, favorável para alguns países, fraco ou até negativo para outros. Particularmente prejudicial aos países em desenvolvimento tem sido a circulação de capitais especulativos, sempre em busca do maior lucro, que repentinamente abandonam esses países e os condenam a crises profundas. Não se vê uma clara tendência à diminuição das desigualdades; antes, elas parecem ter aumentado, tanto no interior de um mesmo país como entre as diversas nações. 46. Apesar de aspectos positivos da globalização (maior produção e circulação de bens, facilidade de comunicação, progressos tecnológicos), a impressão que prevalece na opinião pública, inclusive nos países ricos, os mais beneficiados pela globalização, é de desencanto. Em nossa sociedade, em lugar da segurança e do progresso prometidos, a globalização provocou um aumento sensível dos riscos. Muitos temem sobretudo as catástrofes climáticas e ecológicas, conseqüências da intervenção humana sem limites, agressiva ao meio ambiente, as catástrofes químicas e atômicas, o terrorismo. Mesmo quem não se preocupa com esses fenômenos mundiais, teme pelo seu posto de trabalho, pela insegurança do seu futuro e pela violência cotidiana, inclusive dentro de casa. 50. A sociedade contemporânea enfraqueceu, às vezes eliminou, as “comunidades” tradicionais. A passagem da agricultura para a indústria provocou uma rápida urbanização e concentrou nas cidades a população antes dispersa nos campos. Mais recentemente essa concentração produziu as chamadas “megalópoles”. O aumento das comunicações de massa levou a cidade a exercer uma influência ainda mais extensa, difundindo seus padrões culturais também em regiões rurais. A grande cidade moderna favorece o contato com uma pluralidade de experiências e expressões culturais, multiplicando as possibilidades de escolha do indivíduo. Ao mesmo tempo, priva-o da solidariedade – mas também do controle – que encontrava nas comunidades menores. A violência urbana e a criminalidade criam um clima de medo. A enorme expansão das comunicações sociais torna o indivíduo muito menos preso ao seu território. Variadas atividades humanas se conectam com uma rede de contatos e trocas que cobre o mundo inteiro. 52. Diante do perigo da massificação, o indivíduo tem ainda na família um apoio fundamental, embora ela também esteja menor, reduzida ao seu núcleo, mais frágil e exposta a rupturas. Contribuem para fragilizá-la o trabalho fora de casa de pai e mãe, a entrega da educação dos filhos a outros, a influência da televisão na vida das crianças e adolescentes etc. Além da família, o indivíduo procura sempre mais relações a partir de sua escolha, por afinidade de interesses. Entre as novas experiências comunitárias – fundadas em afetos e afinidades emocionais – estão também as experiências de novas comunidades e movimentos religiosos, unidos ao redor de uma causa, de um carisma, de um líder e sobretudo de uma acolhida recíproca, cheia de calor humano, que atrai e une os membros do grupo. 55. Outra tendência é a inversão de sentido da experiência religiosa. A religião deixa de ser pensada e vivida como uma forma de reconhecimento, adoração e entrega ao Criador, obediência na fé, serviço a Deus. Torna-se busca de utilidade para o indivíduo, seja ela um sentido para a vida, paz interior, terapia ou cura de males, sucesso na vida e nos negócios, como prometido pela assim chamada “teologia da prosperidade”. Dessa forma, a religião, longe de desaparecer, é intensa e difusamente procurada, inclusive na mídia, como não se via há anos. A mídia pode banalizar a religião, reduzi-la a maus um espetáculo para “entreter” o público. Há também, em novas expressões religiosas, uma tendência difusa e generalizada, inclusive por influência de certa psicologia, a afirmar a inocência dos indivíduos. Segundo elas, ninguém deve se sentir pecador ou culpado. Outros grupos religiosos atribuem toda a culpa a demônios ou espíritos malignos. Consequentemente, ninguém se sente responsável por corrigir o que está errado na sociedade, na qual convivem, estranhamente, muita religiosidade e muita criminalidade, busca de Deus e injustiça. 85. Apontamos alguns
aspectos que merecem nossa atenção (a comunidade local pode
descobrir outros): 89. Antes da formatação específica para o diálogo ecumênico, inter-religioso ou inter-cultural, é importante ajudar a todos a reconhecer que, somente no diálogo, a pessoa pode realizar-se. A pessoa não se desenvolve num “esplendido isolamento”, mas na comunicação constante com os outros, a começar pela família. 103. Os destinatários do anúncio são as pessoas, as comunidades e as massas. Isso torna mais urgente a implantação e o incentivo à Pastoral da Comunicação e a presença pública da Igreja junto à sociedade, para que o anúncio chegue até os confins da terra. 105. Após o
Concílio Vaticano II, os novos Códigos de Direito Canônico
(para a Igreja latina e para as Igrejas orientais) destacam os direitos
de todos os batizados e afirmam: “Entre todos os fiéis vigora,
no que se refere à dignidade e atividade, uma verdadeira igualdade,
pela qual todos, segundo a condição e os múnus próprios
de cada um, cooperam na construção do Corpo de Cristo”.
Os sacramentos da iniciação cristã – batismo,
crisma e eucaristia – conferem não somente direitos, mas
também deveres e responsabilidades, vale dizer: uma missão,
da qual todos são participantes, em espírito de comunhão.
Para que as comunidades possam ser lugar de “comunhão e participação”
e, por isso mesmo, de valorização da pessoa, algumas atitudes
são necessárias: 111. Na sociedade atual, principalmente nas grandes cidades, é cada vez mais difícil para as pessoas encontrarem-se com outras fora de casa, nos horários noturnos, para reuniões e celebrações. Diminui o número dos que freqüentam atividades comunitárias ou assembléias litúrgicas. A facilidade de encontrar programas radiofônicos e televisivos de caráter religioso leva muitas pessoas a dispensarem a ida à igreja, na semana e mesmo aos domingos. É preciso estimular a vida comunitária, mas não podemos ignorar o novo contexto. Temos o dever de oferecer às pessoas programas de boa qualidade para a espiritualidade cristã, mediante os novos meios de comunicação, que aliás penetram, para além do mundo urbano, em todos os cantos, mesmo os mais remotos, do País, sem deixar de conscientizar acerca do valor da presença na igreja. 123. Apontamos algumas sugestões de serviços que a comunidade cristã pode desenvolver com vistas a um relacionamento mais humano e humanizador: g. educação crítica para o uso dos meios de comunicação – as comunidades eclesiais podem dar uma importante contribuição para o uso desses meios, incentivando a comunicação em nível local e orientando a consciência crítica para evitar a massificação e a manipulação. A comunicação nas comunidades locais deve valorizar as pessoas, favorecer a informação e a educação, promover a solidariedade. É igualmente essencial educar o público a selecionar, criticar, reagir diante dos programas e negar “audiência” ao lixo e à baixaria. 145. As comunidades de religiosos e de religiosas, um dom na Igreja, brilhem pelo testemunho de fraternidade e de serviço e de serviço. Esmerem-se por viver em comunhão com a diocese, no ministério apostólico que exercem, e somar forças na Pastoral de Conjunto. Da mesma forma, os grupos que recebem orientações e referências de organismos supradiocesanos não podem se afastar e muito menos ir contra as orientações diocesanas. Dificuldades podem nascer de um excesso de subjetivismo, de interpretações pessoais e pouco abertas à comunicação com o conjunto da Igreja. É pelo diálogo e a compreensão recíproca que iremos superar as dificuldades que se apresentem. 152. A sociedade brasileira é hoje uma das mais desiguais do mundo. Nas últimas décadas, a renda do 1% mais rico se manteve igual à dos 50% mais pobres. Tal situação reflete um modelo social que propõe um ideal de consumo ilusório para os pobres (pois o consumo não passa de imagens na televisão ou na propaganda) e efetivo e sofisticado para os ricos, enquanto alimenta a difusão da violência, que é resultado dos muitos conflitos e tensões produzidos por este mundo desigual, incapaz de respeitar a dignidade das pessoas. Tal desigualdade, aos olhos do cristão, é um escândalo e, ao mesmo tempo, um desafio, diante do qual não basta protestar ou lamentar, mas é preciso redobrar com lucidez e perseverança o empenho na construção de uma sociedade justa e solidária. 173. A busca de uma democracia plena, ou de uma “democracia participativa”, faz parte hoje dos ideais de muitos cidadãos, inclusive de muitos jovens. Na verdade, nossa democracia não tem oferecido a todos oportunidades de participação adequada nos benefícios da sociedade. “A existência de milhões de empobrecidos é a negação radical da ordem democrática. A situação em que vivem os pobres é critério para medir a bondade, a justiça, a moralidade, enfim, a efetivação da ordem democrática. Os pobres são os juizes da vida democrática de uma nação.” Hoje, novos avanços são possíveis e desejáveis: inclusão de um maior número de cidadãos nos processos de decisão política; democratização da informação; descentralização do poder quanto possível; maior participação popular na administração pública. 182. Incentivem iniciativas que estendam a todos o direito à informação e busquem sua democratização, criando espírito crítico atento à manipulação da opinião pública pela mídia. 185. Empenhem-se em formar uma consciência moral e uma prática social de inspiração cristã e incentivem o diálogo e a reflexão de teólogos, pastoralistas, cientistas e outros profissionais acerca dos novos problemas de ordem ética que o avanço das ciências suscita em vários campos do saber e do agir humanos. Sejam lembradas, a título de exemplo, as novas responsabilidades na defesa da vida, na preservação do meio ambiente, na manipulação do patrimônio genético, no tratamento das doenças, na proteção dos direitos à informação e à privacidade etc. 195. Os meios de comunicação
de massa devem ser utilizados de maneira correta e competente, para a
proclamação e inculturação do Evangelho. Mas
é preciso advertir que eles são dominados, em grande parte,
por interesses econômicos e por uma mentalidade “secularista”.
A Igreja deve, portanto: 196. Especial atenção
merece a pastoral urbana, com a criação de estruturas eclesiais
novas que, sem desconhecer a validade da paróquia renovada, permitam
que se enfrente a problemática das enormes concentrações
humanas e as novas formas de cultura em gestação. Exemplos
de caminhos novos são: 208. Ao entregar às nossas Igrejas estas novas Diretrizes, colocamos uma grande esperança em sua recepção criativa. Num primeiro momento é desejável que nossas dioceses promovam o estudo de seu texto com o presbitério, os Conselhos Diocesanos e os leigos e leigas engajados nos vários ministérios e serviços. O mesmo esperamos dos movimentos com seus quadros dirigentes. Recomendamos aos nossos meios de comunicação social o estudo e a divulgação destas Diretrizes. Essa reflexão deverá estender-se às paróquias, comunidades e grupos. |